Celia e marido - Suecia [Entrevistando Expatriados] Célia vive há 19 anos na Suécia com seu marido (Suéco) e filha. Já adaptada ao estilo de vida Suéco, ela nos conta sobre a mudança, seu trabalho e sua vida. E só de pensar que tudo isso, começou com um singelo encontro no metrô de Estocolmo. Quem disse que a vida não nos proporciona surpresas, não é mesmo? …

– Nome:
Celia Malmqvist

– Onde nasceu e cresceu?
Nasci em Pindoretama, uma cidade do Ceará. Com 2 anos fui morar em Fortaleza.

– Em que país e cidade você mora?
Estocolmo-Suecia

– Você mora sozinho ou com sua família?
Com minha familia. Meu marido Kurt, e nossa filha, Livia de 16 anos. Uma gatinha e um porquinho da india.
Celia e familia - Suecia

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Moro aqui há 19 anos.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Não

– Qual sua idade?
56

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Minha vinda pra cá, não foi uma coisa planejada. Em 1989, vim a Estocolmo visitar minha irmã, que também é casada com um suéco. Na última semana das férias, encontrei meu marido no metrô. Voltei ao Brasil e ainda fiquei 2 anos. Nos correspondíamos, mas não com muita frequência, devido a dificuldade da língua. Comecei a estudar inglês, e depois de 2 anos, voltei aqui. Foi aí. que resolvemos casar. Então posso dizer que o amor, foi o fator mais forte nessa decisão.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Não. Depois que resolvemos casar, voltei ao Brasil, fui a São Paulo, fiz a entrevista na Embaixada e com 3 meses, eu já estava com tudo resolvido.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Nos temos um seguro de saude fornecido pelo governo. Recebemos automatico, quando se vive aqui.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Sim. Eu trabalho no Correio. Sou carteira. Saio diariamente pra entregar a correspondência. Encontro sempre algumas familias e principalmente, os aposentados. Tenho sempre um tempinho pra conversar um pouco com eles. São pessoas muito queridas. No natal ganho sempre muito presente deles, principalmente chocolates. Rsrsrsrs
No ano que cheguei aqui, comecei logo a estudar o idioma. Eu ia a escola pela manhã e fazia as tarefas em casa a tarde. Depois de 2 meses, comecei a sentir falta do trabalho. Não foi a falta do salario, pois eu tinha meu marido trabalhando. Quando se trabalha a vida toda, fica difícil ficar parada.
Bom, daí uma amiga suéca, nos falou que o correio precisava sempre de pessoas pra separar as cartas. Fomos até lá, e ganhei o trabalho de 4 horas por dia, depois da escola. Quando terminei meu curso de suéco, passei a trabalhar 8 horas, como carteira. Já estou lá há 19 anos. É um trabalho interessante, mas também pesado algumas vezes, principalmente no inverno. Começo as 6.30 da manhã e no inverno, com menos 20 graus e muita neve, não é fácil.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
No Brasil, eu tinha concluído Administração de Empresas, e trabalhava como secretária executiva. Para eu trabalhar no mesmo ramo aqui, eu teria que ler, escrever e falar 100% o suéco, e isso não se adquire tão rápido. Resolvi trabalhar em outra coisa e daí veio o correio. O que eu queria era sentir-me útil…fazer alguma coisa.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Sim. Falo. Posso dizer, que pra uma total adaptação de uma pessoa em outro país, saber falar o idioma é o caminho mais curto e certo pra isso. Abre muitas portas.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Primeiro devo dizer, que não sou expatriada. Sou uma pessoa previlegiada por ter 2 pátrias. Sou cidadã brasileira e cidadã suéca. Acho a Suécia um país muito bom de se viver. Um país que pensa muito na criança…no deficiente…no idoso. O respeito existe, as leis são cumpridas, não existe um percentual alto de criminalidade.
Eles tem uma grande admiração pelo Brasil. Quando falo que sou de lá, eles logo associam a futebol… carnaval… copacabana… Ronaldinho.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Sim, temos uma filha de 16 anos. Ela nasceu no Brasil mas, veio pra cá com 2 meses. Sim, ela estuda e tanto tem amigos suécos como alguns brasileiros, filhos dos nossos amigos brasileiros.

– Sente saudades da família no Brasil?
Sim, claro, que tenho saudades da minha família no Brasil, mas nada que me deixe angustiada e com a necessidade de ir lá todos os anos. Adoro minha família. Acho que a internet, com ajuda da web camera, msn, skype contribuíram pra amenizar a saudades que sentimos.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Nossos fins de semana são bem diversificados. Nossa filha joga futebol num club aqui. Ela tem muitos jogos nos fins de semana. Pode ser um só jogo ou uma copa que dura todo fim de semana. Tanto eu, como meu marido, adoramos esse esporte, por isso a acompanhamos sempre.
Quando ela não tem jogo, viajamos pra casa de férias, que fica numa ilha da Finlândia, onde podemos tomar banho no mar, pescar, andar na floresta e colher cogumelos e frutinhas selvagens, encontrar os amigos etc etc.
Quando ficamos em casa, podemos convidar amigos pra jantar ou vice-versa.
No verão, fazemos muita coisa fora; churrascos, pic-nic, passeios. Já no inverno, o programa é mais dentro de casa. Aqui é o tempo quem determina os programas rsrsrs. Viver aqui na Suecia, é como viver em dois países; um no inverno e outro no verão. Os programas são totalmente diferentes.
Um costume que é bem usado aqui, é o pic-nic nos parques, praças e jardins da cidade no verão. Como comer fora nao é uma coisa barata, as pessoas costumam fazer pic-nic, e quando acham um local, sentam e ali se transforma na sala de jantar. É bonito ver vários grupos, sentados ou deitados pegando sol. Eu achava isso muito estranho quando cheguei aqui.
Outra coisa que é bem diferente do Brasil, é a importância que se dá ao sol. Como temos o sol constante no Brasil, não paramos pra pensar nisso. Aqui na Suécia, o sol pode ficar 3 meses sem aparecer, e sentimos sua falta. Quando vai chegando a primavera, e o sol também aparece, as pessoas se sentam em praças, parada de ônibus, com o rosto voltado pro sol. Se se sentam num cafe, são os lugares no sol os primeiros a serem ocupados.
Celia e familia - Suecia

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Quanto a planos para o futuro, penso continuar morando aqui na Suécia. Ver nossa filha se realizar profissionalmente, casar, nos dar netinhos e ser uns aposentados felizes.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Nós alugamos nosso apartamento. Custa 920 dolares mensais, o aluguel. A maioria dos prédios são alugados, mas esse novo governo está querendo vender grande parte desses apartamentos. O nosso por exemplo, está em negociação. Para que isso ocorra, tem que haver uma votação entre os moradores. É necessario ¾ das pessoas votarem a favor, para poder serem vendidos. Se for aprovada a venda, nós que moramos no apartamento, poderemos comprar.

– Qual o custo de vida?
O custo de vida aqui é caro. Pagamos impostos muito alto mas, nós vemos o retorno disso através da escola/material escolar, tratamento de dente até 18 anos, operações, ganhar bebe, que não se paga. Isso é uma coisa positiva.
Quando uma familia não recebe o suficiente para se manter, ou mesmo, não tem um trabalho, eles recorrem a um setor do governo que paga as despesas.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Pontos positivos; aqui é um país com a natureza muito bonita. Temos as 4 estações bem marcantes e cada uma com sua beleza. As pessoas se respeitam. É um país de baixa criminalidade. As leis são cumpridas. Entre muitas.
Negativos; um ponto negativo, talvez o único, é a assistência médica para o primeiro contacto com o médico. Quando eu morava no Brasil, eu tinha a Goldencross (nao sei se se escreve assim). Quando eu necessitava uma consulta, eu ia no meu livrinho, escolhia um médico e era atendia muitas vezes no mesmo dia. Aqui é diferente. Se quero encontrar meu médico, tenho que telefonar e esperar o dia que ele tiver vaga. Isso me deixa um pouco nervosa. Se estou muito doente e tenho que encontrar um médico naquele dia, vou então pra emergência de um hospital e as vezes, tenho que esperar 6 horas pela minha vez. Todos aqui tem o mesmo tratamento. Depois desse primeiro contacto, e sou encaminhada por exemplo, a um especialista, daí fica tudo melhor, mas exatamente esse primeiro contacto, deixa-me angustiada.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Pra quem quer viver em outro país, eu digo o seguinte; Esteja certo, que é isso que você quer, aprendam a língua logo que chegarem, não fiquem fazendo comparações com seu país de origem e o que moram agora, respeitem as leis, as normas e os costumes do seu novo país.

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Todas as entrevistas estão nesse link

News Reporter
Criou o Bate Papo Pelo Mundo (também conhecido como Entrevistando Expatriados) em 2008 e adora conversar sobre o assunto vida no exterior. Atualmente mora no Canadá, mas também já chamou de casa países como a Holanda, os Estados Unidos e a Australia. Ela também escreve nos blogs Casal Mikix e Viajoteca, e atua como consultora de intercâmbio para o Canadá, junto a Mikix Intercâmbio.

117 thoughts on “Vidinha na Suécia

  1. Oi Celia, adorei ler a sua entrevista. Eh isso mesmo que acontece. Eu vivi 3 anos em Dusseldorf, Alemanha, a trabalho e foi a maior experiencia que tive. Amei morar la por tudo que voce descreveu da Suecia. De la fui transferida para os EUA novamente e fiquei la ate me aposentar, quando retornei ao Brasil. Sou cidada Americana mas se nao fora por meus netos, voltaria para a Alemanha. Eh bom demais.

  2. Oi Celia, adorei ler a sua entrevista. Eh isso mesmo que acontece. Eu vivi 3 anos em Dusseldorf, Alemanha, a trabalho e foi a maior experiencia que tive. Amei morar la por tudo que voce descreveu da Suecia. De la fui transferida para os EUA novamente e fiquei la ate me aposentar, quando retornei ao Brasil. Sou cidada Americana mas se nao fora por meus netos, voltaria para a Alemanha. Eh bom demais.

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