Marcie em Nova YorkO amor por um homem a levou pra fora do país; o amor pelo mundo a impede de voltar… Conheça um pouquinho da história da Marcie, que se formou em Turismo, e ainda não conseguiu ganhar um tostão com isso, só gastar; uma pessoa que adora conhecer novos lugares e descobrir tudo que esse mundo tem a oferecer. Há 7 anos ela mora em Nova York, mas também já viveu 15 anos na Italia..

– Nome:
Marcie

– Onde nasceu e cresceu?
Sao Paulo, SP

– Em que país e cidade você mora?
Estados Unidos: New York, NY

– Você mora sozinha ou com sua família?
Com meu marido; minha filha mora no Brasil.

– Há quanto tempo você reside neste local?
7 anos.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes desta experiência?
Sim, morei quase 15 anos na Itália, em Roma.

– Qual sua idade?
52

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Eu estava pensando em sair do Brasil, quando meu marido, que já tinha morado na Itália, teve uma proposta de trabalho irrecusável.

Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Nos primeiros anos da Itália, por ainda não ser divorciada, eu era ilegal. Tinha que fazer o sacrifício de sair do país a cada 3 meses para carimbar meu passaporte…Felizmente não havia impedimento nenhum para minha filha frequentar a escola. Depois que obtive meu divórcio, casei-me com o Ciro, que tem a cidadania italiana. Aí eu fui pra legalidade….mas continuava a atravessar fronteiras…aliás, nunca parei!

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Na Itália nenhum de nós tinha seguro saúde: vínhamos para o Brasil para fazer exames de rotina e visitas ao dentista. Numa emergência, entretanto, sabíamos que poderíamos contar com o “INPS” local. Agora nos USA, onde uma visitinha básica ao pronto socorro levaria à falência uma família das mais abastadas, temos, sim, seguro saúde. Mas a idéia é usá-lo numa emergência: continuamos a ir para o Brasil para visitas e exames de rotina.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Nós dois trabalhamos. Meu marido em marketing e comunicação; e eu, na produção de eventos.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Eu trabalhava em novos negócios ligados à área de publicidade; e fazia traduções. Eventos foi uma atividade que “aconteceu” quando descobriram que eu tinha jeito pra coisa.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Sim, eu falo Inglês e Russo desde pequena. E, com o tempo, também aprendi Italiano e Francês. Acho fundamental, para uma boa adaptação, falar a língua do país. Quanto mais você mostra sua intenção de se integrar à sua nova comunidade, melhor é recebido. Isto vale principalmente na Europa.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
O Brasileiro, quase sempre, é bem recebido como turista. Já como residente, minha vivência mostra que, ao contrário das aparências, o Italiano, por exemplo, é um pouco xenófobo. E de uma maneira geral o europeu demora pra “aceitar” você inteiramente. Felizmente há muitas exceções, e eu fiz ótimas amizades tanto na Itália quanto na França, Inglaterra e Espanha.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Sim, tenho uma filha. No começo foi muito difícil a adaptação dela. Ela não queria ir, não queria deixar os amiguinhos e a família paterna. Pra piorar, mudamos no meio do ano escolar, o que a obrigou a estudar em casa durante os seis primeiros meses – além de aprender o Italiano. Isso foi muito dificil para todos. Ela não tinha amigos e ficava constantemente emburrada. Depois que ela começou a escola, isso melhorou muito. Mas ela só foi mesmo gostar da Itália depois que voltou pro Brasil.

– Sente saudade da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Sinto saudade da minha filha. Dos amigos. Da minha casa. E das frutas, insuperáveis em gosto e qualidade. Não sinto falta é do medo que me assalta quando estou no Brasil: medo de parar no farol, medo de caminhar, medo voltar de um teatro tarde da noite, medo de usar jóias… Eu me sinto muito tolhida no Brasil. Pode ser neura, mas é como me sinto. A liberdade e a sensação de segurança que eu tenho no exterior são impagáveis. Mesmo se a única vez na vida que entrou ladrão na minha casa foi em Roma.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Como viajo muito, tanto a trabalho quanto por prazer, tento evitar aeroportos quando possível. Adoro uma viagem de trem ou carro. Quando não viajo, teatros, ballets, leitura. NY é uma cidade com uma vasta oferta de programas culturais, e eu tento aproveitar o mais que posso.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Eu gostaria muito de voltar para a Europa. França, na verdade. Eu sou cigana, e gosto muito de conhecer novos lugares, novas culturas e novas línguas. Mas, na minha idade, fica cada vez mais difícil mudar, recomecar…Mas sonhar não paga imposto….

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Eu tenho sorte, pois ja possuía um apartamento em NY quando mudamos pra lá. Em Roma, nós alugávamos.

– Qual o custo de vida?
O custo de vida em Manhattan é muito alto. A maioria dos brasileiros que mora em NY, escolhe outros “boroughs” (bairros/distritos): Queens e Brooklin principalmente. Ou então o vizinho estado de New Jersey. E os espaços são muito menores aos que estamos acostumados no Brasil. Por exemplo: o aluguel de um apartamento de 1 dormitório em Manhattan chega tranquilamente a 3000 dolares, dependendo do local, do prédio e da infra oferecida. Some-se a isso o condomínio ( em torno 800 dolares), a eletricidade, o telefone, etc…fica proibitivo.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
No lado positivo, acho que a primeira coisa é o fato de você se sentir seguro. Junto com isso, todas as vantagens de morar num país que é a primeira economia do mundo. A parte negativa – infelizmente sempre tem – é que com o tempo você acaba perdendo algumas ilusões. Existem coisas maravilhosas, mas existem também muitos problemas. Como a exploração do medo, uma prática que se agravou a níveis estratosféricos com os ataques de 11 de setembro. Nesse caso, claro que o temor é justificado, mas eles usaram disso para uma série de medidas que me incomodaram muito. Não vou entrar na política da coisa – isso é apenas ilustrativo de como a imagem que eu tinha deles mudou.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
O fato de o consumidor ser rei! Você sempre tem razão. Em consequencia disso, os serviços também são de muito boa qualidade.

– O país que você reside tem alguma coisa que é usada no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
O Brasileiro adora “importar” coisas americanas. Seria fantástico se eles importassem também a seriedade com que o país aplica a lei; se político corrupto realmente prestasse contas de seus atos; se gente famosa fosse presa ao cometer um crime. Por outro lado, acho que o brasileiro teria muita coisa a ensinar para os americanos: a alegria, o bom humor e, por que não? alimentação.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Como todos sabem, os Estados Unidos vivem um momento muito complicado. E, em momentos de crise, eles obviamente procuram privilegiar o trabalhador americano, dificultando muito a vida dos imigrantes. Acho sempre mais prudente tentar ir já com uma proposta de emprego.

News Reporter
Criou o Bate Papo Pelo Mundo (também conhecido como Entrevistando Expatriados) em 2008 e adora conversar sobre o assunto vida no exterior. Atualmente mora no Canadá, mas também já chamou de casa países como a Holanda, os Estados Unidos e a Australia. Ela também escreve nos blogs Casal Mikix e Viajoteca, e atua como consultora de intercâmbio para o Canadá, junto a Mikix Intercâmbio.

14 thoughts on “Meu lema é pé na estrada (deve ser por isso que gosto tanto de sapatos…)

  1. Marcie
    vc é guerreira mesmo,me lembrodo seu aniversario com o café da manhã de pijama ,onde demos boas risadas
    vc era muito jovem,hoje está pelo mundo afora…quem diria????
    volte logo (como diz Adeni)para fazermos uma reunião e colocarmos os assuntos em dia
    beijos carinhosos
    Ruth sempre presente (na sua vida)

  2. Ameeeei!! Adorei conhecer melhor minha nova amiga Marcie!!! Eu ainda vou passar um tempinho em Nova York e vamos poder nos conhecer mais!

    Já já eu mando a minha entrevista!
    beijo

  3. Marcie,
    Parabéns pela entrevista.
    Você é muito querida por nós e por onde passar fará amigos e saberá cultivá-los, como faz com os brasileiros. Bj e achamos que Adení tem razão.

  4. Também adorei conhecer a Marcie aém do twitter! Concordo com tudo que você disse sobre medo. Acho que a insegurança é nosso maior problema…

    E vou querer umas aulas de russo! 😉

  5. Marcie, pensando bem o Loira, você não acha que tá na hora de voltar pra casa??? Vinte anos fora da terrinha é demais, pega as malas e o Ciro e voltem.
    Beijos
    Adeni

  6. Marcie,

    Adorei sua entrevista …já conhecia um pouquinho de vc e já te admirava….

    Bom, agora continuo te admirando , mas bateu aquela saudades dos nossos longos papos!

    Abração saudoso e até uma hora dessas de preferência em Paris…rsrsrrs

    Parabéns

  7. A entrevistada tem uma leitura acurada da vida no exterior, sem fantasiar, sem viajar na maionese. Muito tranquila nas respostas, passa a quem não sabe como é a vida fora do Brasil uma idéia fiel aos fatos do que é a vida fora da terra natal e, em especial, nos EUA.
    Gostei muitíssimo!

  8. Muito bem postado tudo principalmente o ultimo item(sugestoes ou dicas), e tu disse 100% a coisa certa: Vivemos um momento complicado e realmente eles privilegiam o americano,dificultando o imigrante.

    (mas eu acrescento)ta complicado aqui,mas ta indo…
    rsrs..

    Parabens

  9. Amei a entrevista..

    Tenho uma Mega Super Hiper identificação com a Marcie..

    Amei o “que se formou em Turismo, e ainda não conseguiu ganhar um tostão com isso, só gastar..” Digamos que estou no mesmo barco..

    Bem, a entrevista so veio a confirmar que a Marcie é nota 1000!!!

    E estou te esperando na França de braços abertos..

    Gros Bisous

    =)

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