A vida além-mar após a aposentadoria

Quem disse que não é possível mudar de país depois dos 50 anos, hein? A Silvia e o marido sempre quiseram viver no exterior, pensaram no início no Canadá ou na Australia, mas foi Portugal que abriu as portas. Hoje eles residem no Algarve e estão adorando a experiência!

Vida em Portugal

– Nome
Silvia Regina

– Onde nasceu e cresceu?
São Paulo, SP (Nasci, cresci e fiz toda a minha vida lá)

– Em que país e cidade você mora?
Portugal, Portimão, no Algarve

– Você mora sozinho ou com sua família?
Moro com meu marido.

Aposentadoria em Portugal

 

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Chegamos um dia antes do meu aniversário, 5/6/2017.

– Qual sua idade?
59 anos.

– Quando surgiu a ideia de morar no exterior?
Eu sempre quis morar no exterior. Pensamos no Canadá e na Austrália, mas nunca deu certo. Desta vez foi mais simples: em novembro do ano passado tivemos a ideia e em abril deste ano já estávamos com o visto D7 no passaporte.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Conseguimos o visto de residência no Consulado de Portugal em São Paulo. É um processo um pouco burocrático, mas quem tem tempo pode fazer tudo sozinho. O site do Consulado explica tudo o que você precisa saber.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Viemos para cá com o PB4, um documento dado pelo Ministério da Saúde do Brasil, indicado não só para quem vem morar, mas todo turista brasileiro que venha a Portugal. Com esse documento, todos podem ser atendidos em um hospital público em Portugal, como se fossem portugueses. Chegando aqui, depois de obter o cartão de residente, nós fomos ao Centro de Saúde para pedir um número de utente (usuário) que permite nosso atendimento na rede de saúde de Portugal.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Nós somos aposentados (reformados) e recebemos aposentadoria do Brasil. Mas estamos com alguns projetos na área de empreendedorismo para ganharmos em euros.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Eu sou jornalista e escritora e meu marido é arquiteto, especializado em projetos de acesso rodoviário. Com o visto D7 não é permitido trabalhar, mas podemos fazer alguns projetos pontuais, sem vínculo empregatício.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Olha, dizem que é a mesma língua, mas não é. Eles nos entendem pois já viram muitas telenovelas brasileiras. Mas o vocabulário português é muito diferente do nosso e não é tão fácil entender quando eles falam rápido.

Aposentadoria em Portugal
– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?

Eu adoro Portugal, e especialmente Portimão, onde estamos a morar. Já fizemos amigos “de infância” aqui, mas existem as dificuldades, sim. Por exemplo, muitos portugueses, sem nos conhecer direito, não gostam da ideia de alugar seus imóveis para brasileiros, em função de algumas atitudes de conterrâneos que aqui estiveram no passado. Mas, em geral, eles gostam da gente e do nosso sotaque.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Temos filhos, sim, mas são adultos. O filho mais velho já nos deu uma netinha, e ficou no Brasil. E a mais nova está vindo para Lisboa, fazer mestrado.

– Sente saudades da família no Brasil?
Claro que sim, mas a tecnologia ajuda muito a amenizar as saudades. Sinto muitas saudades da minha netinha, mas no ano passado ela, do alto dos seus 10 anos, me disse assim: “vovó, eu não sou mais criança”. Foi quando percebi que ela estava entrando em uma fase de festinhas de amigos e outros compromissos, que talvez não precisasse mais tanto de mim. Com a graduação da minha filha menor, foi como que a chave da nossa libertação para virmos para cá, realizar nosso sonho de morar na Europa.

Aposentadoria em Portugal

 

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreativas existentes?
No verão, tem muita praia. O Algarve tem uma infinidade de praias para conhecermos. Mas além disso, tem muita atividade cultural e esportiva, muita caminhada nos passadiços, tem o coral Adágio, onde canto, que me recebeu de braços abertos. Também frequentamos a piscina municipal quase todos os dias. No inverno, continuam as atividades culturais, tem reuniões em nossa casa ou na casa de amigos, continuam as caminhadas e ainda vamos descobrir como será, pois chegamos aqui em junho e o inverno mais rigoroso ainda não deu as caras por aqui.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Sim! Ficar aqui para sempre não será má ideia. O visto D7 pode ser renovado por mais dois anos, duas vezes. Depois disso, podemos pedir a cidadania portuguesa. Se toda a família resolver vir também, aí seria o paraíso perfeito.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Aqui quase não tem nada para alugar (só por temporada). Mas nós tivemos muita sorte e conseguimos alugar um apartamento ótimo da irmã de uma amiga do nosso amigo, que mora em Macau. Como os imóveis aqui no Algarve costumavam ser baratos, para os padrões europeus, o que aconteceu foi que muitos europeus compraram casas aqui só para passar o verão. Ou seja, embora existam muitos apartamentos vazios, ninguém costuma alugar. Ainda mais para brasileiros. É complicado. Mas a média dos preços dos imóveis para comprar aqui ainda é mais baixa do que em São Paulo. Por exemplo, um T2 ótimo custa 70 mil euros (280 mil reais). Um apartamento de dois dormitórios na Vila Madalena em São Paulo não custa menos de 420 mil reais.

– Qual o custo de vida?
O salário mínimo em Portugal é 580 euros por mês. Para obter o visto D7 (duas pessoas), eles pedem que a gente comprove que ganha um salário mínimo e meio. Mas nós gastamos mais do que isso por mês. Essa questão de custo de vida varia muito, dependendo do estilo de vida de cada um. Nossa vida aqui é bem simples, pois era isso o que queríamos quando nos mudamos para cá. Por isso, vou falar das nossas contas.
Pelo apartamento (um T3 – 3 dormitórios), nós pagamos 600 euros, entre aluguel e água, luz e gás).
Alimentação – uns 200 euros por mês (supermercado, não restaurante).
Nós temos um carro (financiado aqui) e a prestação é de 135 euros.
Abastecer o carro custa uns 100 euros por mês.
A piscina custa 30 euros/mês.
Internet, celular, telefone fixo e TV – pacote da Vodafone – sai por 70 euros por mês.
No mês passado fomos duas vezes a Lisboa e pagamos 80 euros de portagem (pedágio).
Total = 1.215 euros (4.860 reais).

Aposentadoria em Portugal
– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?

Positivos: sensação de morar dentro de um cartão-postal, segurança, clima, proximidade com a praia, língua, tudo funciona, tudo perto, não tem trânsito e os portugueses, no geral, são acolhedores e excelentes pessoas.

Negativos? Hummmm….. faltam dermatologistas no serviço público, difícil alugar casa ou apartamento, não tem banana prata nem queijo provolone.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Venham… tem muita informação na Internet.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado a esse país?
Meu e-book Destino Algarve, à venda na Amazon (em cada país é um link diferente, mas é só procurar Destino Algarve, que aparece lá).

Meu blog Consulta Sentimental (desde 2003)

O site do Consulado Português em São Paulo, que tem absolutamente todas as informações para obtenção do visto D7 (fiz tudo sozinha e deu tudo certo).

 

Leia todas as entrevistas de Brasileiros que moram em Portugal, aqui no Bate Papo.

News Reporter
Criou o Bate Papo Pelo Mundo (também conhecido como Entrevistando Expatriados) em 2008 e adora conversar sobre o assunto vida no exterior. Atualmente mora no Canadá, mas também já chamou de casa países como a Holanda, os Estados Unidos e a Australia. Ela também escreve nos blogs Casal Mikix e Viajoteca, e atua como consultora de intercâmbio para o Canadá, junto a Mikix Intercâmbio.

1 thought on “A vida além-mar após a aposentadoria

  1. Mirella, adorei ler a entrevista da Silvia Regina. Inspiradora!
    Nunca é tarde para se fazer o que deseja e o que sonhou a vida toda.
    Nos últimos anos e recentemente, vários brasileiros criaram coragem para deixar o Brasil e tentar uma nova vida em outra parte do mundo.
    A minha vontade também sempre foi essa, e agora mais do que nunca.
    Aguardando uma possível oportunidade para bater asas.
    Talvez essa seja a inspiração e motivação p/ não engavetar um sonho.
    Sucesso pra você em mais um projeto, que com certeza já é sucesso.
    Beijos 💖

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