Vida em Vancouver

O marido da Roberta recebeu uma proposta de trabalho em Vancouver e depois de pensar um pouquinho, eles resolveram embarcar nessa aventura. Já estão há mais de um ano no Canadá e hoje ela nos conta como é sua vida em Vanvouver.

Brasileiros no Canadá

– Nome: Roberta Albuquerque

– Onde nasceu e cresceu?

Nasci no Rio de Janeiro.

– Em que país e cidade você mora?

Atualmente moro em Vancouver, no Canadá

Vida em Vancouver

– Você mora sozinho ou com sua familia?

Moro com o meu marido Fábio e minha filha de três anos Isabela.

– Há quanto tempo você reside nesse local?

Moramos aqui a um ano e três meses. Chegamos em Vancouver 10 de Janeiro de 2017.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?

Não, essa é a nossa primeira experiência!

– Qual sua idade?

Tenho 35 anos.

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?

Na verdade a decisão de ir para o Canadá não foi planejada como a grande maioria das pessoas fazem.

Viemos parar aqui porque meu marido recebeu uma proposta de emprego. A partir disso, começamos a pesquisar mais sobre Vancouver e vimos que seria ótima oportunidade de morar no fora do Brasil.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho? 

Como foi uma oferta de emprego, a empresa realizou todo o processo de imigração para a nossa família, no qual demorou aproximadamente 6 meses.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?

Sim possuímos seguro saúde. A saúde do Canadá é publica. Cidadãos, imigrantes, estudantes e trabalhadores com visto válido tem direito a cobertura. Em British Columbia em particular o plano é conhecido como MSP, apesar de publico ele não é gratuito. Os valores podem variar de acordo com o número de pessoas da família.

Quando chegamos no Canadá, a empresa que contratou o meu marido deu entrada, após a aplicação acho que demorou uns três meses para o cartão chegar.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida? 

Atualmente somente só o meu marido trabalha. Pra mim, 2017 foi um ano destinado a cuidar da nossa adaptação. De fevereiro/2018 pra cá comecei a procurar aos poucos um trabalho.

O mercado de trabalho aqui na minha área (Software developer) é bem grande e com muitas oportunidades. Não estou com muita pressa ainda para achar alguma coisa já que ainda faço curso de inglês.

Durante esse período de procurar de emprego, participei de duas entrevistas nas quais consegui através de eventos conhecidos como HackerX e WomenHack. São eventos bem legais nos quais empresas de tecnologia se reunem para realização de entrevistas informais com profissionais que procuram emprego ou desejam novas alocações.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?

Sim, mas não tão bem quanto eu gostaria. Cheguei no Canadá com o inglês muito básico. No inicio foi muito difícil, a mudança me fez sentir medo de falar e acabei ficando muito dependente do meu marido para realizar simples tarefas como ir ao supermercado ou ao médico.

Claro que quando estamos em um país que não fala a nossa lingua, a gente é forçado a aprender pelo menos o básico para sobreviver. Passei os primeiros meses frustada, me cobrava muito e depois de um tempo decidi fazer um curso de inglês para tentar destravar. Comecei o curso no inicio de Agosto/2017 a noite pois precisava esperar meu marido chegar para ficar com a Isabela. Tive muita sorte de entrar para uma turma regida por uma professora canadense muito dedicada em ajudar os imigrantes a aprender o idioma e os costumes. Ela trazia assuntos atuais para discutirmos em classe, o que tornava as aulas interessantes e isso me ajudou bastante a sair da inércia, além de conhecer gente diferente.

Pelo menos aqui em Vancouver o que percebi é que a grande maioria das pessoas são pacientes com gente que não fala bem o inglês. Como aqui é um pais de imigrantes, o que mais você irá encontrar são pessoas que possuem dificuldade com a língua. Muito dizem que pessoas vivem e trabalham aqui a anos e ainda não falam inglês. Por exemplo, existem muitas empresas chinesas, e muitos dos trabalhadores não falam uma palavra do inglês.

Mas se você quer vir para o Canada para estudar ou trabalhar é claro que dominar a língua te trará muito mais possibilidades.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país? 

Após um longo processo de adaptação, comecei a ter mais contato com as pessoas e o lugar, ver como tudo funciona por aqui.

Acho esse país sensacional, muitas pessoas vem pra cá para ter uma boa qualidade de vida e é realmente isso que você ganha aqui. Mais tranqüilidade. Nunca vi diferença com relação a nacionalidade. Normalmente quando as pessoas sabem que você é brasileiro ficam animados e até mesmo curiosos. Muitos até dizem: “O que você tá fazendo aqui? O Brasil tem um clima maravilhoso! Aqui é frio e chuvoso. Chato demais”.

Acredito que independente de onde você deseja morar aqui, pode-se viver com conforto e qualidade de vida. A cultura é muito diversificada, pois diferentes pessoas do planeta vem para cá imigrar, isso faz com que o povo canadense seja um povo simpático e acolhedor. Conheço muitos brasileiros que moram aqui e a grande maioria se sente muito bem recebida.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?

Sim, uma filha de 3 anos. Ela se adaptou muito rápido. Ela entrou no daycare (creche) em outubro de 2017, aqui é um pouco complicado achar vaga, muito concorrido. No início do daycare ela sentiu um pouco de dificuldade pois os amiguinhos não entendiam o que ela fala e vice versa. Mas tivemos sorte, o daycare possui ótimas professoras e souberam lidar com essa dificuldade com muita delicadeza. Atualmente, Isabela está totalmente adaptada ao daycare e já consegue se comunicar em inglês com os amigos e professores. Nós também a colocamos em um programa chamado Curumim com o objetivo de enriquecer o conhecimento de português e da herança cultural brasileira.

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?

Sentimos muita saudade da família. No início foi muito difícil lidar com essa saudade. Quando chegamos aqui não tínhamos amigos, não conhecíamos o lugar. Era tudo muito novo e o processo de adaptação foi um pouco complicado, por várias vezes me peguei olhando o google flights a procura passagens para voltar.

Com relação aos produtos, sentimos muita falta de um bom pãozinho francês quentinho que a gente podia comprar a qualquer hora no Brasil. Coisas difíceis de achar aqui são carne seca e creme de leite.
Sinto muita diferença com relação a carne vermelha. Eu não sei ao certo mas parece que tem um gosto diferente.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes? 

Nossa!!!! Aqui em Vancouver o que não falta é atividade pra fazer. Além de ter vários parques equipados com ótimos playgrounds, Vancouver possui vários centros comunitários que fornecem uma imensidade de atividades legais para fazer principalmente nos dias chuvosos kkk. Nós costumamos ir muito aos parques públicos já que temos uma filha com muita energia.

Em dias de sol, podemos ver a felicidade nos rostos de todos, é o momento em que todo mundo sai para fazer as mais diversas atividades como andar de bicicleta, praticar esporte e claro ficar sem fazer nada em qualquer espaço com uma graminha e pegar bastante vitamina D.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre? 

O nosso plano inicialmente é ficar por aqui, não pensamos me voltar para o Brasil em um futuro próximo. Aqui ganhamos uma segurança sem igual.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país? 

Nós moramos de aluguel aqui em Vancouver. Não vou dizer para você que foi fácil achar um lugar. Quando chegamos aqui ficamos o primeiro mês em um airbnb pois queríamos visitar as casas para alugar. Foi estressante pra gente, pois como não tínhamos histórico financeiro no país isso complicou um pouco. Além disso, acho que muitos dos lugares não nos aceitaram por que tínhamos uma criança. Não sei o porque mas ficamos com a impressão de que outros casais sem filhos tiveram mais “prioridade” na análise das aplicações.

Atualmente moramos em um bairro chamado Mount Pleasant em um apto de um quarto + Den, aluguel de $1800. Eu acho que é uma boa localização pois ficamos entre duas estações do skytrain e principais linhas de ônibus.

Em Vancouver os preços são astronômicos e não pensamos em comprar um imóvel tão cedo.

– Qual o custo de vida? 

Olha tem um canal muito legal sobre imigração de uma conhecida minha. Lá ela explica detalhadamente sobre o custo de vida aqui no Canadá.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?

Pontos positivos: SEGURANÇA!!!! Sim, aqui tenho uma tranquilidade que não tinha no Brasil. Eu não saia de carro com a minha filha sozinha pois morria de medo de ser assaltada e não conseguir tirá-la a tempo. Quando estava a pé com ela ficava apreensiva, pois era tanta coisa assustadora acontecendo nos jornais e redes sociais que ficava meio paranóica. Isso não era vida! Além disso o excelente serviço de transporte público e sistema de saúde eficiente.

Ponto negativos: Drogas! Aqui é seguro, sim, muito mais que no Brasil isso não tem discussão. Mas uma coisa que me entristece é ver muitos drogados nas ruas de Vancouver. Se você anda pela E Hastings na qual chamamos de Cracolândia de Vancouver, é muito triste ver a quantidade de pessoas se injetando ou cheirando cocaína em pleno dia e a poucos metros de uma das áreas mais nobres da cidade. Esse é um tema muito delicado, os índices de mortes por overdose são alarmantes. O Canadá oferece alguns programas meio confusos de entender, como o usuário com sua própria droga tem acesso a equipamentos e materiais adequados para o consumo.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país? 

Coisa que me impressionam aqui é como Vancouver é bonita e florida. A primavera aqui é sensacional!!!!!!

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil? Conte-nos… 

O transporte público aqui no Canadá é muito eficiente e organizado, além de ser super acessível, por exemplo podemos entrar ônibus com muita facilidade com carrinho de bebê e pessoas portadoras de deficiência/idosos que utilizam cadeira de rodas ou strollers.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?

A minha dica é planejar tudo bem direitinho, pesquisar bastante sobre custo de vida e os costumes do lugar que você deseja ir.

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiência que esta vivendo nesse país, qual seria?

Tranquilidade!

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país? 

https://kittynocanada.com – Youtuber brasileira que fala bastante sobre o processo de imigração, adaptação e muito mais coisas daqui do Canadá.
http://baianosnopolonorte.com – Nesse blog Livia de Sousa conta todas as suas experiência aqui no Canadá. Me ajudou muito pois nos trouxe muita informações legal daqui.

Leia mais entrevistas sobre o Canadá aqui no Bate Papo!

News Reporter
Criou o Bate Papo Pelo Mundo (também conhecido como Entrevistando Expatriados) em 2008 e adora conversar sobre o assunto vida no exterior. Atualmente mora no Canadá, mas também já chamou de casa países como a Holanda, os Estados Unidos e a Australia. Ela também escreve nos blogs Casal Mikix e Viajoteca, e atua como consultora de intercâmbio para o Canadá, junto a Mikix Intercâmbio.

1 thought on “Vida em Vancouver

  1. Arrasou Robertinha!!! Vou me mudar pra Vancouver 😜
    Muito bom termos essa tranquilidade que não tínhamos no RJ. Feliz de ver que aquele início tenso passou e que agora tudo tá caminhando. Saudades!
    Mirellita adorei ver minha amiga aqui😘

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